Descubra as competências mais valorizadas pelas empresas e como elas ajudam líderes a desenvolver uma liderança de sucesso
Por décadas, as habilidades de liderança estiveram associadas quase exclusivamente ao domínio técnico de cada profissional. Essa realidade mudou nos últimos anos, impulsionada pelas transformações comportamentais e pelo avanço acelerado das novas tecnologias, e com isso chegou o momento de falar sobre power skills.
Power skill é o termo que amplia o conceito de soft skill, as habilidades comportamentais ligadas às dimensões sociais e emocionais de cada pessoa. O uso do “power” confere o potencial real que um conjunto de competências estratégicas possui para transformar gestores em líderes de alta performance.
A gestão que gera resultados é justamente aquela capaz de reconhecer a importância dessas competências para construir um presente sólido e um futuro promissor à frente de um time. Mas, afinal, o que são power skills na prática e quais são as principais para quem ocupa posições de liderança?
Para entender a origem do termo power skills, é preciso voltar à origem das soft skills, conceito que surgiu nos Estados Unidos por meio das Forças Armadas ainda no século XX, a partir de observações feitas em campos de batalha.
Na época, notou-se que grande parte dos combatentes já dominava a parte técnica das estratégias militares. Entretanto, o verdadeiro diferencial se encontrava na liderança capaz de manter comunicação clara, promover colaboração, gerir pessoas e tomar decisões sob pressão.
Essa constatação impulsionou o desenvolvimento de métodos para identificar e aprimorar competências comportamentais, hoje reconhecidas como essenciais para o sucesso coletivo. Com o tempo, essas habilidades ganharam espaço no ambiente corporativo e evoluíram para o conceito de power skills, que reforça seu impacto estratégico nos resultados das organizações.
O uso do termo “power skills” ganhou força a partir do livro best-seller “Power Skills: as habilidades-chave para destravar seu potencial máximo”, de Dafna Blaschkauer
Atualmente, as capacidades técnicas continuam valiosas para cargos de gestão, mas dividem protagonismo com o desenvolvimento interpessoal. O conceito de power skill reforça que essas competências têm alto impacto direto na performance organizacional, ao contrário do que o termo “soft skill” transmite, como algo secundário, menos estratégico ou fácil de desenvolver.
Em artigo publicado recentemente pela Harvard Business School, a autora Ruth Gotian destaca que, em um cenário de transformações constantes, a capacidade técnica deixou de ser o principal desafio da liderança.
Pelo contrário: em um contexto marcado pelos avanços da inteligência artificial, o diferencial competitivo está cada vez menos ligado à expertise técnica e cada vez mais à capacidade de conectar pessoas. Por isso, gestores têm se preocupado em se manter atualizados sobre as novas tendências do mercado e do comportamento humano no trabalho.
O contraste entre gerações dentro do ambiente corporativo também é um dos fatores que têm levado os líderes a buscarem o desenvolvimento de habilidades comportamentais. É preciso saber lidar com diferenças de perspectiva e com os obstáculos naturais da convivência em equipes multigeracionais.
Em estudo recente publicado na revista GV Executivo demonstrou que a escuta ativa está entre as características mais valorizadas na liderança atual, e, ao mesmo tempo, é uma das capacidades humanas que a inteligência artificial dificilmente conseguirá substituir. Essa pesquisa reforça, na prática, a importância das power skills no contexto organizacional contemporâneo.
Não sabe por onde começar a desenvolver suas power skills? A seguir, listamos as dez principais habilidades de liderança e como incorporar cada uma delas ao seu dia a dia como gestor.
1. Aprendizagem contínua
Buscar constantemente novos conhecimentos, desenvolver competências e acompanhar as transformações do mercado. A aprendizagem contínua fortalece a capacidade de inovação e adaptação da liderança.
Na prática: ao aprender algo novo, coloque em prática logo em seguida, seja em uma reunião, seja na rotina diária com o time. Compartilhar o aprendizado e testar novas abordagens ajuda a consolidar o conhecimento e incentiva uma cultura de desenvolvimento contínuo.
2.Adaptabilidade
Em um mercado dinâmico, a flexibilidade tornou-se uma vantagem competitiva. Portanto, esteja aberto para lidar com profissionais de diferentes perfis e idades, isso contribuirá com momentos de tomada de decisão e desafios.
Dica prática: se um projeto mudar de prioridade ou prazo, em vez de insistir no planejamento original, reúna a equipe para revisar as novas condições, redefinir prioridades e redistribuir tarefas conforme o contexto atual.
3.Comunicação estratégica
A comunicação desempenha um papel fundamental no sucesso de uma liderança. A capacidade de transmitir ideias com clareza, alinhar expectativas, inspirar equipes e criar conexões reduz conflitos, fortalece a cultura organizacional e aumenta o engajamento.
Na prática: antes de iniciar qualquer conversa, apresentação ou reunião, faça uma pausa e responda a três perguntas: o que a outra pessoa precisa entender? O que você espera que ela faça após a conversa? Qual é a melhor forma de transmitir essa mensagem?
4.Pensamento criativo
Encontrar novas formas de resolver desafios, estimular a inovação e incentivar uma cultura aberta a ideias diferentes. A criatividade impulsiona melhorias contínuas e diferencia as organizações.
Na prática: se os resultados de uma ação são desafiadores, reúna toda equipe e realize um brainstorming e incentive cada um a propor uma nova solução. Muitas vezes, as melhores soluções surgem quando exploramos perspectivas que, à primeira vista, pareciam improváveis.
5.Colaboração
Desenvolver um time colaborativo é um dos grandes desafios da gestão atual. Encontrar meios para integrar pessoas de uma mesma área e até mesmo equipes de diferentes áreas faz com que desafios deixem de ser responsabilidades isoladas e contribui para construção de ambientes de confiança.
Na prática: sempre que possível promova ações que contribuam e incentivem a conexão do time, seja por meio de projetos interdisciplinares, rodas de bate-papo e treinamentos de desenvolvimento.
6.Inteligência emocional
Reconhecer e gerenciar as próprias emoções, além de compreender as dos outros. Líderes emocionalmente inteligentes constroem relações de confiança e administram conflitos com mais equilíbrio.
Na prática: ao receber um feedback negativo ou lidar com um conflito na equipe, em vez de responder imediatamente, ouça atentamente, faça perguntas para compreender o contexto e só depois apresente seu ponto de vista. Escuta ativa e empatia nesses momentos são primordiais.
7.Influência
Mobilizar pessoas sem depender exclusivamente da autoridade do cargo. Líderes influentes conquistam credibilidade, geram engajamento e facilitam a colaboração entre equipes.
Na prática: em vez de começar dizendo “Vamos fazer assim”, pergunte: “Como vocês enxergam essa solução?”. Depois, complemente com sua proposta. Isso fortalece a confiança e torna sua influência mais natural.
8.Pensamento crítico
Analisar informações, questionar premissas e tomar decisões baseadas em evidências. O pensamento crítico torna decisões mais assertivas e minimiza vieses na gestão.
Na prática: antes de atribuir a queda nas vendas ou falhas durante uma operação, analise os dados, ouça diferentes áreas e verifique outros fatores que podem ter influenciado o resultado.
9.Resiliência
Manter o foco diante de desafios, aprender com erros e conduzir equipes em momentos de pressão ou mudança. A resiliência ajuda líderes a enfrentar crises sem perder a capacidade de inspirar e gerar resultados.
Na prática: após um projeto que não atingiu os resultados esperados, reúna a equipe para identificar os aprendizados e definir ações de melhoria, em vez de buscar culpados.
10.Tomada de decisão
Avaliar cenários, analisar riscos e agir com agilidade. Bons líderes equilibram dados, experiência e visão estratégica para decidir com segurança, mesmo em contextos de incerteza.
Na prática: antes de aprovar uma nova estratégia, reserve alguns minutos para comparar alternativas e avaliar qual delas oferece o melhor resultado com o menor risco.

Mesmo reconhecendo a importância das power skills, muitos líderes têm dificuldade para colocá-las em prática. Na maioria dos casos, o problema não está na falta de conhecimento, mas em hábitos que limitam o desenvolvimento contínuo dessas competências.
Liderar com excelência exige muito mais do que conhecimento técnico. Em um cenário de mudanças constantes, a capacidade de se comunicar com clareza, influenciar pessoas e alinhar equipes aos objetivos do negócio tornou-se uma das competências mais importantes para alcançar alta performance.
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