Quais são os 4 pilares da Comunicação Não Violenta (CNV)?

Veja exemplos práticos de como aplicar a abordagem de Marshall B. Rosenberg

Treinamento SOAP
30/11/2023
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As habilidades interpessoais são essenciais em nossas vidas, tanto no âmbito profissional quanto pessoal. Nossas interações com colegas de trabalho, familiares, clientes e amigos são moldadas pela forma como nos comunicamos e nos entendemos mutualmente. Por isso, compreender quais são os pilares da Comunicação Não Violenta é fundamental. 

Também conhecida como CNV, essa forma de se expressar não apenas melhora a comunicação, mas também promove relacionamentos mais construtivos e saudáveis.  

Neste artigo, vamos explorar os quatro pilares da CNV e como eles nos ajudam a construir relacionamentos mais positivos e significativos.  

O que é a Comunicação Não Violenta? 

Desenvolvida pelo psicólogo Marshall B. Rosenberg, essa abordagem propõe promover a comunicação pacífica e respeitosa entre as pessoas. Rosenberg define a CNV como um processo de conscientização de nossas próprias necessidades e sentimentos, assim como daqueles com quem nos comunicados.  

Sendo assim, a Comunicação Não Violenta sugere que, ao compreender e expressar nossas necessidades e sentimentos de maneira clara e empática, podemos criar conexões mais profundas e resolver conflitos de forma construtiva.  

No livro “Comunicação Não Violenta: Técnicas para Aprimorar Relacionamentos Pessoais e Profissionais”, publicado pela primeira vez em 1999, Rosenberg compartilha suas abordagens e experiências com o mundo.  

Ele enfatiza a importância de adotar uma comunicação que valorize a compreensão mútua, empatia e a resolução pacífica de conflitos. O autor convida os leitores a praticarem a Comunicação Não Violenta, explicando que ela pode ser aplicada em todas as áreas da vida, englobando, inclusive, o ambiente corporativo.  

Pois quando aprendemos a comunicar nossos sentimentos de maneira respeitosa, criamos um espaço para a compreensão mútua e resolução de conflitos. Isso é fundamental para o nosso crescimento pessoal e para o sucesso de nossos relacionamentos. 

O livro traz trechos inspiradores que ilustram a aplicação prática da Comunicação Não Violenta em diversas situações, desde conflitos pessoais até desafios no ambiente de trabalho. E quando se trata de comunicação no mundo corporativo, é fundamental pensar em estratégias de comunicação de maneira empática.  

Os 4 pilares da Comunicação Não Violenta de Rosenberg  

O modelo da CNV é baseado em quatro pilares principais, os quais funcionam em harmonia para melhorar a qualidade das nossas comunicações.  

Para ilustrar como a Comunicação Não Violenta pode ser aplicada, vamos considerar um cenário comum em uma empresa: Ana exerce a função de líder em uma equipe de marketing e está enfrentando dificuldades de comunicação com os seus colaboradores. A equipe tem perdido muitos prazos e compromissos, e Ana está frustrada com o desempenho.  

Vamos analisar como os quatro pilares da Comunicação Não Violenta podem ajudar Ana a abordar essa situação de forma eficaz.  

1. Observar sem julgar 

O primeiro pilar da Comunicação Não Violenta envolve a capacidade de observar uma situação ou comportamento antes de fazer um julgamento. Rosenberg enfatiza a importância de distinguir “observações” de “avaliações”.  

Observações são fatos objetivos que todos podem concordar. Já as avaliações são as interpretações subjetivas que colocamos nos fatos. 

Muitas vezes, no ambiente corporativo, as pessoas tendem a fazer julgamentos precipitados, o que pode levar a conflitos e mal-entendidos. Veja o exemplo:  

Ana pode observar que seu colega João se atrasou para uma reunião importante. Entretanto, em vez de apenas observar o atraso, ela começa a fazer avaliações negativas do funcionário, como “ele está sempre atrasado porque não valoriza o tempo dos outros”.  

Essas avaliações precipitadas podem causar tensões no relacionamento. Por isso, a CNV incentiva os profissionais a serem conscientes de suas observações e separá-las de seus julgamentos. Isso cria um espaço para uma comunicação mais aberta e menos conflituosa.  

Sendo assim, em vez de Ana iniciar a conversa com julgamentos, ela deve se concentrar nas observações objetivas daquela situação específica:

“Oi, João. Eu percebi que você perdeu alguns prazos e tem chegado atrasado em algumas reuniões nas últimas semanas. Aconteceu algo? Posso ajudá-lo de alguma maneira?”  

2. Nomear os sentimentos 

O segundo pilar da CNV abrange a habilidade de conseguir nomear seus próprios sentimentos. Expressar e compreender as emoções de maneira clara e precisa é essencial para uma comunicação eficaz.  

E no ambiente de trabalho, na maioria das vezes, as emoções podem ser mal compreendidas.  

Ana, por exemplo, pode se sentir frustrada com a falta de colaboração da sua equipe em um projeto e com os atrasos do João. Em vez de ignorar ou reprimir essas emoções, a Comunicação Não Violenta incentiva a identificar o que estamos sentindo.  

Sendo assim, a líder pode reconhecer que está se sentindo frustrada com a situação, buscar conectar-se consigo mesma e comunicar isso de maneira mais transparente com sua equipe.  

Com isso, em vez de expressar sua frustração de forma agressiva, Ana se concentra em nomear as suas emoções de forma autêntica e não acusatória.  

“Quando percebi que você perdeu o prazo, João, me senti frustrada e preocupada com o impacto que isso pode causar no nosso trabalho enquanto equipe”.  

Ou, então:

“Percebi que fico frustrada quando não conseguimos atingir as nossas metas, pessoal. Tenho receio de como isso pode nos prejudicar a médio e longo prazo, e gostaria de compartilhar esse sentimento com vocês. Como podemos nos ajudar?”  

3. Identificar e comunicar as necessidades  

O terceiro pilar da Comunicação Não Violenta é conseguir identificar quais são as nossas necessidades.  

Todos nós temos necessidades emocionais e práticas que devem ser atendidas para nos sentirmos satisfeitos e realizados. E quando falamos sobre trabalho, essas necessidades podem ser, muitas vezes, negligenciadas.  

Comunicação Não Violenta é especialmente importante para líderes

Ana pode perceber que sua necessidade de colaboração e apoio não está sendo atendida por parte da equipe. Mas ao contrário de culpar seus colegas, a CNV encoraja Ana a identificar o que não está sendo atendido e a falar sobre isso.  Vamos ao exemplo:  

A gestora identifica e reconhece que tem necessidades de eficiência e confiabilidade em sua equipe. Ela compartilha isso com todos de forma clara e respeitosa:  

“Pessoal, identifiquei que para nossa equipe funcionar bem, precisamos que todos cumpram os prazos, combinado? Precisamos também manter a confiabilidade mútua.”  

Ao fazer esse movimento, Ana mostra para a equipe uma visão das expectativas e necessidades do grupo de funcionários, criando um espaço para uma comunicação mais eficaz

4. Pedir, não mandar  

O último pilar da CNV é a prática de pedir em vez de mandar. Muitas vezes, para mostrar autoridade no ambiente de trabalho, as pessoas podem adotar uma abordagem mais mandona quando tentam se comunicar. E isso pode levar a ressentimento e resistência por parte dos colegas e subordinados.  

Sendo assim, Ana pode reconhecer a importância de pedir e delegar tarefas de forma mais respeitosa, pois identificou que abordar a equipe de forma autoritária não é eficaz.  

Com isso, ela pode fazer pedidos claros e específicos. Veja só: “João, você poderia me dizer quais são os desafios que você está enfrentando para cumprir os prazos e conseguir participar das reuniões? E como posso ajudar você?”  

Ana também pode trocar:“eu preciso desse projeto daqui a 5 minutos na minha mesa. É pra já. Não quero enrolação” para:

“Pessoal, preciso que esse projeto seja entregue ainda hoje. Quem pode ficar responsável por ele, por favor?”.  

Rosenberg enfatiza que fazer pedidos em vez de dar ordens promove uma comunicação mais colaborativa. Ao pedir a João que compartilhe seus desafios ou quem pode ficar responsável pelo projeto, Ana está convidando a equipe a ser parte das soluções.  

Comunicação Não Violenta com clientes  

Como falamos, a CNV pode ser aplicada em muitas situações no ambiente corporativo: resolução de conflitos, na gestão de equipes e na comunicação com clientes. 

Na resolução de problemas com a equipe você já viu como a Comunicação Não Violenta pode ser benéfica. Agora, veja outro exemplo prático usando a CNV na comunicação com clientes.  

Pense na seguinte situação: na área de atendimento, um cliente insatisfeito e muito irritado, o Marcos, liga para reclamar de um produto com defeito. Nesse caso, a funcionária Maria poderá adotar a Comunicação Não Violenta.  

No atendimento, Maria pode dizer: “Marcos, compreendo que você está frustrado, pois recebeu um produto que não está funcionando. Vamos providenciar um processo de troca e devolução para resolver o seu caso o mais rápido possível. Conte comigo”.  

Ao fazer isso, Maria demonstra que está preocupada com o problema de Marcos e, mais ainda, estabelece uma comunicação respeitosa com o cliente.  

Como você viu, os quatro pilares da Comunicação Não Violenta são princípios fundamentais que melhoram a qualidade da comunicação no mundo corporativo.  

Ao aplicar esses pilares, os profissionais podem construir relacionamentos mais saudáveis, resolver conflitos de forma pacífica e promover um ambiente de trabalho mais produtivo e harmonioso.  

A Comunicação Não Violenta é uma ferramenta poderosa. E a SOAP oferece diversos treinamentos para empresas que buscam aprimorar suas habilidades de comunicação e fortalecer os relacionamentos.  

Conheça o SOAP Liderança um treinamento de comunicação para líderes de alto desempenho! 

Com a CNV, as organizações podem criar um ambiente mais colaborativo e produtivo, onde a empatia e a compreensão mútua são valorizadas. Portanto, investir nos pilares da Comunicação Não Violenta é um passo significativo em direção ao sucesso e à harmonia entre os colaboradores.  



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