O que é preciso para se tornar uma liderança humanizada? Entenda!

Muito se fala sobre liderança humanizada e seus benefícios, mas é importante entender como verdadeiramente colocá-la em prática

Treinamento SOAP
18/05/2023
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Liderança humanizada é uma das principais tendências atuais em termos de perfil gestor desejado pelas empresas. Aliás, mais do que uma tendência, podemos dizer que se trata de uma necessidade do mundo pós-pandêmico.  

A consultoria global Great Place To Work, em seu relatório sobre gestão de pessoas em 2023, questionou milhares de empresas sobre as características mais valorizadas nas lideranças para entender o perfil ideal de líder no cenário atual.  

Resultado: empatia e gestão humanizada ficaram em primeiro lugar, a frente até mesmo de conhecimentos sobre o negócio. Quase metade das empresas (46,8%) consideram o gestor humanizado o perfil ideal de líder. 

Mas, afinal, o que é uma liderança humanizada? 

Liderança humanizada é um estilo de gestão que prioriza o bem-estar e o desenvolvimento dos membros da equipe. Ele reconhece a importância do aspecto humano no ambiente de trabalho.  

Essa abordagem busca criar um ambiente corporativo mais positivo, respeitoso e colaborativo, onde as pessoas se sintam valorizadas, motivadas e apoiadas. 

A liderança humanizada parte do pressuposto de que as pessoas são o recurso mais importante de uma organização e que o sucesso está diretamente ligado ao seu bem-estar (físico e emocional).  

Essa ideia é justamente o que Carol Losicer, especialista em Gestão de Pessoas, propõe no e-book Líder Engajador, desenvolvido em parceria com a SOAP.  

Ao invés de headcounts – termo utilizado na área de RH para se referir aos colaboradores, cuja abordagem tende a enxergá-los apenas como recursos –, a especialista defende o conceito de heartcounts, que significa “contagem de corações” na tradução livre e remete a uma gestão mais sensível. 

Mas não se trata de apenas um novo conceito que deve ficar no campo da teoria. O bem-estar do colaborador é, verdadeiramente, um aspecto necessário para o sucesso do negócio no mundo atual. 

Colaboradores cansados, estressados, desmotivados, ansiosos, desvalorizados, entregam menos.  

Segundo reportagem do jornal Estado de Minas, um estudo realizado pela Universidade da Califórnia aponta que funcionários felizes são, em média, 31% mais produtivos.  

Como destaca Losicer: 

“Existe um coração por trás do crachá. Não podemos desconsiderar as motivações e o estado emocional das pessoas no ambiente de trabalho, porque é justamente por meio das emoções que fazemos com que as pessoas performem melhor.” 

Se quiser saber mais sobre como motivar e engajar colaboradores por meio de suas emoções, leia o e-book Líder Engajador: 

Mulher segurando um tablet e lendo o e-book Líder Engajador

Os 4 pilares da liderança humanizada 

Existem diversas práticas e políticas que um gestor pode adotar para ser uma liderança humanizada. Mas todas elas giram em torno de quatro pilares principais, que são a base dessas práticas. São eles: 

Observação 

Observar e entender as necessidades e expectativas tanto da empresa quanto dos funcionários é o primeiro pilar de uma gestão humanizada. 

Líderes sensíveis estão atentos às demandas da organização, como metas, objetivos e desafios enfrentados. Mas também observam e consideram as necessidades individuais dos funcionários, como desenvolvimento profissional, equilíbrio entre vida pessoal e trabalho, ambiente de trabalho saudável, entre outros.  

Esse equilíbrio ajuda a criar uma cultura que valoriza tanto os resultados organizacionais quanto o bem-estar dos colaboradores.  

Comunicação 

A comunicação é uma habilidade fundamental para uma liderança humanizada. Comunicar de forma clara, aberta e direta com sua equipe evita conflitos, retrabalhos e problemas com a imagem pessoal do gestor.  

Isso implica transmitir informações de maneira compreensível, estabelecer expectativas de forma clara e fornecer feedback construtivo. A comunicação assertiva também envolve ouvir ativamente os funcionários, demonstrar empatia e estar aberto a sugestões e preocupações.  

Uma comunicação eficaz ajuda a construir confiança, melhorar o engajamento dos funcionários e fortalecer os relacionamentos interpessoais no ambiente de trabalho. 

Integração 

Promover a integração entre equipes, criando laços e uma cultura de respeito mútuo é um aspecto fundamental da gestão humanizada. Na prática, significa promover a colaboração e relacionamentos saudáveis entre os membros da equipe.  

Os líderes humanizados incentivam a integração entre os diferentes times, criando oportunidades para que as pessoas se conheçam, compartilhem conhecimentos e trabalhem juntas.  

Executivos reunidos em uma sala
Uma liderança humanizada busca a integração e criar laços entre a equipe

Os líderes também fomentam uma cultura de respeito em que todas as vozes são ouvidas, as ideias são valorizadas e as diferenças são apreciadas. Essa integração fortalece o senso de pertencimento e colaboração, melhorando a coesão da equipe e o desempenho geral. 

Alinhamento 

Esse pilar diz respeito à adequação às necessidades observadas, tanto das empresas quanto dos funcionários. Os líderes humanizados estão abertos a revisar e ajustar os processos de trabalho para garantir que sejam eficientes e atendam às demandas de seus superiores  

Mas eles levam em consideração as sugestões e preocupações dos colaboradores e buscam maneiras de melhorar a eficiência, a produtividade e o bem-estar geral.  

Ou seja, trata-se de adaptar o ambiente de trabalho para que ele atenda a todos os demais pilares de uma gestão humanizada. Se o líder perceber que os processos adotados até então não atendem a essa necessidade, ele deve repensá-los. 

Como se tornar um líder humanizado? 

Para se tornar uma liderança humanizada, gestores precisam mudar seu mindset em relação à forma como gerenciam seus subordinados. É fundamental deixar de lado aquela ideia de headcounts, como já mencionado. 

O primeiro passo é a autoanálise, refletir sobre suas próprias crenças, valores e comportamentos, e como eles podem impactar os outros. Isso cai numa segunda característica da gestão humanizada, que é a empatia.  

Ao contrário do que muitos pensam, não se nasce empático. Na verdade, é uma habilidade que pode (e deve) ser desenvolvida, pois permite que o gestor entenda e responda melhor às necessidades dos colaboradores, criando um ambiente mais acolhedor e solidário. 

Na prática, embora seja desafiador, é possível implementar uma liderança mais humanizada com diversas políticas. Algumas demandam mais planejamento e custos, mas outras podem ser incorporadas imediatamente.  

Veja algumas práticas que são características que de uma gestão mais humana: 

  • Encorajar a comunicação aberta e transparente entre os colaboradores (e o líder deve ser o primeiro a dar exemplo); 
  • Estimular o trabalho em equipe entre as pessoas; 
  • Promover a inclusão e a diversidade, desde o recrutamento até o dia a dia da empresa (com acessibilidade, políticas de inclusão, programas de conscientização); 
  • Estabelecer metas claras e realistas, 
  • Acompanhar os processos (um líder não apenas manda, mas participa dos projetos); 
  • Fornecer feedback construtivo e constante
  • Usar uma comunicação assertiva para evitar ruídos e mal-entendidos; 
  • Ouvir as preocupações e ideias da equipe; 
  • Fazer ajustes e melhorias com base nesse feedback; 
  • Promover treinamentos e programas de desenvolvimento profissional; 
  • Construir espaços adequados, de trabalho e de pausa; 
  • Oferecer remuneração justa e atender aos direitos legais dos funcionários. 

O que NÃO é uma liderança humanizada? 

Recentemente, viralizou nas redes sociais uma publicação de um coordenador de Departamento Pessoal em que ele fala sobre demissão humanizada. Na foto do post, há um uma cesta café da manhã com um cartão informando o desligamento de um funcionário.  

Logicamente, a repercussão na internet foi negativa. Mas a verdade é que dar uma cesta e balões para o funcionário ao demiti-lo não é demissão humanizada. Na verdade, o que torna o desligamento mais humano é toda a jornada da relação do colaborador com a empresa até aquele momento.  

Por qual motivo ele está sendo desligado? Ele recebia feedbacks? Suas ideias eram ouvidas? O ambiente corporativo era saudável? O gestor o tratava bem? Ele teve seus direitos trabalhistas atendidos? Ele foi pego de surpresa? 

Se trabalhar naquela empresa foi uma experiência ruim, não será uma cesta que mudará a experiência do colaborador até ali.  

Logicamente, uma demissão precisa ser feita com empatia e ética. Mas ainda assim é preciso que se diga que uma gestão humanizada vai muito além de gestos vazios e superficiais. 

Portanto, não é uma liderança humanizada: 

  • Aquela que coloca uma sinuca para os funcionários jogarem no intervalo, mas não faz a manutenção do escritório enquanto as pessoas estão trabalhando em ambientes sem infraestrutura completa e adequada; 
  • Aquela que passa a mão na cabeça, é permissiva, mas não fornece feedbacks construtivos para que o colaborador se torne um profissional melhor; 
  • Aquela que não acompanha os processos, não define metas claras e realistas, mas cobra demasiadamente e pressionada quando os resultados financeiros não são alcançados; 
  • Aquela em que a gestão não sabe se comunicar com empatia e respeito. 

A gestão humanizada é sobre a forma como o gestor enxerga e trata seus colaboradores. Se a visão sobre o papel de seus funcionários estiver correta (se você os enxergar como pessoas e não apenas recursos), naturalmente isso refletirá uma gestão melhor. 

Quer aprender mais sobre o assunto e como mudar seu relacionamento com colaboradores? Então faça o download do e-book Líder Engajador!



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