BookTok e repertório criativo: como a tendência do TikTok está mudando consumo, comportamento e novas referências culturais

Como uma comunidade de leitores no TikTok transformou a indústria editorial, o storytelling e a forma como marcas se conectam com suas audiências

31/05/2026
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É um desafio se manter atento a cada novidade que surge em um mundo cada vez mais veloz e cheio de inovações. O BookTok é um exemplo disso, um movimento que surgiu em uma das redes sociais mais utilizadas na atualidade e que modificou a forma como lidamos com a criatividade, consumo e tendências.

O TikTok hoje já é uma das plataformas mais acessadas no Brasil. Com o surgimento do BookTok dentro do seu ambiente, a rede se tornou uma fonte de repertório criativo para mais de um bilhão de usuários ao redor do mundo.

O comportamento do consumidor foi alterado diante do conjunto de experiências, histórias e estudos compartilhados todos os dias por criadores de conteúdos ansiosos em dividir. Para o universo literário, a transformação foi ainda mais intensa.

Mas primeiro é preciso compreender de forma profunda o surgimento do movimento BookTok e quais são os aprendizados e impactos que podemos observar diante dessa avalanche cultural de vídeos curtos. É hora de se abrir para um universo desconhecido para entender o quanto isso já nos modificou. 

O que é BookTok e por que ele virou fenômeno?

Considerado um fenômeno cultural por muitos, o BookTok tomou conta do TikTok e da vida de milhares de pessoas apaixonadas pela leitura. Uma comunidade que reúne criadores de conteúdos que compartilham suas experiências por meio de resenhas e discussões sobre livros.

O sucesso é tanto que os números surpreendem. O uso da hashtag #BookTok em vídeos já acumula cerca de 215 bilhões de visualizações e a hashtag #BookTokBrasil, já conquistou 20,4 bilhões de visualizações.

A influência do movimento saiu do digital e foi para o mundo offline. Afinal, a criação de conteúdos voltados para o segmento literário também contribuiu para o crescimento da compra de livros, ou seja, no comportamento do consumidor.

Impactados com críticas e discussões sobre diversos livros, o mercado editorial brasileiro sentiu a diferença.  Segundo pesquisa divulgada pelo Sindicato Nacional dos Editores de Livros (SNEL), a receita de R$2,28 bilhões em 2024 saltou para R$2,49 bilhões em 2025. Cerca de 48 milhões de livros foram comercializados ao longo do ano de 2025. 

O storytelling é vivenciado de forma cotidiana por milhares de pessoas. Por meio de vídeos curtos, se cria uma comunidade de fãs que discutem gostos comuns em um ambiente acolhedor para o desenvolvimento de um novo repertório criativo com vivências, ideias e conexões.

BookTok e a transformação do comportamento do consumidor

O TikTok não é apenas uma plataforma de entretenimento, é um motor econômico. De acordo com o Relatório de Impacto Econômico da plataforma, o TikTok Brasil já movimenta parcela relevante do PIB do país e pode ter gerado mais de 400 mil vagas de emprego por meio de seu ecossistema de vendas.

O que diferencia o TikTok de outras redes está no coração do seu algoritmo: em vez de se basear no “gráfico social”, ou seja, em quem você conhece, a plataforma parte dos sinais de interesse do usuário. Isso significa que o conteúdo entregue é altamente personalizado, gerando uma nutrição digital que provoca reação imediata de desejo e consumo.

O comportamento do consumidor foi diretamente afetado por essa lógica. A descoberta passou a superar a busca: as pessoas não necessariamente estão buscando ativamente mas, ainda assim, encontram. E isso muda tudo na jornada de compra.

Comunidades digitais como curadoras de tendências

O pertencimento sempre foi um combustível humano poderoso. No ambiente digital, esse sentimento ganhou escala e velocidade. Segundo dados da Spark, 70% dos brasileiros seguem influenciadores e confiam mais em recomendações de comunidades do que em anúncios formais.

Marcas que entenderam esse movimento passaram a construir estratégias orientadas à comunidade, e os resultados aparecem tanto em engajamento quanto em vendas. O BookTok é a prova de que quando uma comunidade se organiza em torno de um interesse genuíno, ela se torna uma curadora cultural capaz de mover mercados inteiros.

Esse modelo também reforça o papel do branding emocional: a sensação de pertencimento e proximidade gerada por comunidades digitais fortalece e amplifica marcas, muitas vezes de forma orgânica.

O repertório criativo deixou de ser construído apenas por referências tradicionais

Durante muitas décadas construímos um repertório criativo baseado em nossas experiências físicas em um mundo desconectado e em relacionamentos, livros, música e compras. Entretanto, há mais de duas décadas, tudo começou a se modificar aos poucos.

O surgimento da internet acelerou o processo de transformação. A tecnologia e seus avanços substituíram algumas fontes de compartilhamento e conhecimento de uma forma rápida e permanente. 

O repertório criativo foi se adaptando em um contexto social totalmente diferente, mas cheio de inovação e entusiasmo. Mas de que forma mudamos o nosso jeito de lidar com a própria criatividade? 

1. O algoritmo passou a apresentar descobertas inesperadas

Antes, o acesso a referências dependia de buscas ativas. Hoje, plataformas como o TikTok apresentam conteúdos que talvez nunca fossem procurados espontaneamente, expandindo referências e criando conexões fora da bolha habitual.

2. Referências deixaram de vir de um único formato

O repertório criativo já foi dominado por livros e filmes. Hoje, ele nasce também de vídeos curtos, podcasts, newsletters, memes e comunidades online. A criatividade é alimentada por múltiplas linguagens.

3. Comunidades digitais viraram curadoras culturais

Grupos em redes sociais passaram a influenciar o que consumimos e descobrimos. O BookTok é um dos exemplos mais nítidos disso: uma comunidade literária que seleciona referências, aponta tendências e constrói novos interesses coletivamente.

4. O acesso global ampliou perspectivas

A tecnologia derrubou barreiras geográficas. Hoje é possível acompanhar movimentos culturais de qualquer parte do mundo em tempo real, gerando repertórios mais diversos e conexões criativas mais ricas.

5. O consumo se tornou participativo

As pessoas não apenas consomem conteúdo de forma isolada: elas comentam, remixam, reinterpretam e criam. A criatividade se tornou mais colaborativa e dinâmica, transformando a construção de repertório em um processo coletivo.

6. A narrativa se fragmentou, e se multiplicou

O storytelling está presente em múltiplos lugares, plataformas e formatos. Uma história pode começar em um vídeo curto, continuar em um podcast, virar thread, meme ou conteúdo complementar. A narrativa ficou distribuída, e, com isso, mais poderosa.

O que o fenômeno BookTok ensina sobre contar histórias

O BookTok mostra que boas histórias continuam movimentando pessoas, mas a forma de despertar interesse, gerar identificação e criar conexão mudou. Mais do que recomendar livros, a comunidade revela transformações importantes sobre narrativas, e reforça por que o storytelling continua sendo uma das técnicas mais poderosas de comunicação.

Storytelling cria conexão humana

Mesmo com algoritmos, vídeos curtos e mudanças no comportamento digital, a lógica permanece a mesma: pessoas se conectam com histórias de forma muito mais profunda do que com informações.

O storytelling transforma mensagens em experiências. Em vez de apresentar dados frios ou argumentos diretos, ele cria contexto, emoção e significado, elementos que aumentam atenção, memória e identificação.

Histórias despertam emoção

O foco da comunidade e dos vídeos do BookTok raramente está em explicar a sinopse completa de um livro. O conteúdo costuma partir de sentimentos: surpresa, impacto, identificação ou curiosidade.

Frases como “esse livro me fez repensar tudo”, “eu não esperava pelo final” ou “eu me apaixonei pelas personagens” mostram algo importante: emoções são elementos-chave.

Storytelling para capturar atenção

Em plataformas digitais, especialmente o TikTok, a disputa por atenção acontece em poucos segundos. Por isso, muitas narrativas passaram a começar pelo momento mais forte da história, por uma pergunta ou por um conflito.

A lógica é: primeiro capturar atenção; depois aprofundar a narrativa. Por isso a introdução de um vídeo é tão determinando, assim como o Ato 1 da sua história. 

Comunidade também virou parte da narrativa

Hoje, as histórias não terminam quando o conteúdo acaba. Comentários, reações, teorias e interpretações ampliam a narrativa.

Na comunidade literária do BookTok, leitores participam da interpretação da história e ajudam a prolongar sua relevância.

Boas histórias continuam fortes, mas sua linguagem evoluiu

O fenômeno literário no TikTok reforça que o storytelling não perdeu força com a tecnologia, ele se adaptou. Continua sendo uma ferramenta poderosa porque transforma informação em conexão, desperta emoções e cria experiências compartilháveis e relacionáveis.

Mudaram os formatos, os canais e a velocidade. A necessidade humana por histórias continua a mesma.

Da tendência à prática: como aplicar esses aprendizados

A forma de contar histórias evoluiu. O BookTok demonstra isso com clareza: rompeu barreiras da comunicação, transformou o comportamento do consumidor e mostrou o quanto o repertório criativo pode ser construído de formas que, até pouco tempo atrás, seriam inimagináveis.

Para marcas e profissionais de comunicação, a lição é direta: dominar técnicas como o storytelling é essencial para atrair, reter e engajar audiências cada vez mais exigentes. O processo de tomada de decisão é influenciado por percepções emocionais, e são as histórias que ativam essas percepções.

A tecnologia e as mídias sociais oferecem hoje estruturas narrativas diversas para impactar audiências de forma simultânea, emocional e racional. A questão não é mais se contar histórias, mas como contá-las com mais intenção e impacto.

No workshop in company de Storytelling da SOAP, times aprendem na prática a construir narrativas que capturam atenção, despertam desejo e conduzem o público aos seus objetivos, aplicáveis em roteiros, campanhas, lançamentos de produtos, vídeos, lives e podcasts.

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