Entenda como sotaques, expressões locais e referências culturais podem enriquecer a comunicação empresarial
A comunicação é o fio invisível que conecta pessoas, times e organizações. É por meio dela que ideias ganham forma, decisões são tomadas e relacionamentos se constroem.
Dentro desse universo, os regionalismos, isto é, sotaques, expressões locais, modos de falar e referências culturais ocupam um lugar interessante. Eles são sinais de pertencimento, carregam histórias e revelam a riqueza cultural de um país como o Brasil, em que a diversidade linguística é quase inesgotável.
Na comunicação corporativa, os regionalismos servem de lembrete: não existe uma única maneira de falar, escrever ou transmitir uma mensagem. O que existe é a importância de adaptação ao público.
Uma palavra que soa natural em uma região pode gerar dúvida em outra; uma metáfora eficiente em certo grupo pode soar distante em outro. E, na maioria das vezes, essa adaptação não significa grandes mudanças: basta uma explicação rápida, uma escolha diferente de expressão, um ajuste no tom.
Mais do que discutir se regionalismos “atrapalham” ou “ajudam”, o tema abre espaço para refletir sobre algo maior: a comunicação só é efetiva quando consegue equilibrar autenticidade e clareza.
Regionalismos são parte do que torna a comunicação viva. Eles se manifestam em diferentes camadas: no sotaque, no vocabulário, nas construções sintáticas e até nos gestos que acompanham a fala. Mais do que características linguísticas, são expressões de identidade.
Em uma reunião, ouvir o sotaque de alguém ou identificar uma expressão típica pode despertar curiosidade e criar conexão. No ambiente corporativo, onde a impessoalidade muitas vezes predomina, essa marca pessoal funciona como lembrança de que há pessoas reais por trás de cargos e funções.
Por isso, a discussão não é sobre neutralizar sotaques ou padronizar vocabulários, mas sobre reconhecer que, em contextos de maior diversidade de público, alguns ajustes tornam a mensagem mais clara para todos.
Essa consciência não significa abandonar a própria forma de falar, mas praticar um tipo de “tradução” leve e respeitosa quando necessário.
Seja na fala ou na escrita, comunicar no ambiente corporativo é sempre adaptar-se ao público. Essa é a lógica central que os regionalismos ajudam a evidenciar.
Essa flexibilidade não diminui a autenticidade. Pelo contrário, é um sinal de inteligência comunicacional: quem se adapta mostra que considera o outro, que valoriza o entendimento do público e não apenas a própria forma de falar.
Em situações de comunicação entre diferentes públicos, é natural que surjam expressões que nem todos compreendem de imediato. Isso, no entanto, não é um grande problema. Na maioria das vezes, basta uma tradução rápida para garantir entendimento.
Um exemplo simples: em uma reunião nacional, um gestor utiliza uma expressão típica de sua região para descrever uma dificuldade. Se percebe olhares de dúvida, pode imediatamente complementar: “essa palavra, lá onde moro, significa exatamente isso que estamos vivendo aqui: um desafio que parece pequeno, mas exige atenção.”
O esclarecimento é rápido, resolve o possível ruído e, de quebra, acrescenta uma camada cultural ao encontro.
Essa prática mostra que a comunicação corporativa não precisa ser artificialmente neutra. Ela pode preservar traços culturais, desde que seja guiada pelo princípio da clareza.
Autenticidade é um valor cada vez mais buscado no ambiente corporativo, pois transmite confiança. Por outro lado, clareza é indispensável para que mensagens tenham efeito. O ponto central, portanto, não é escolher entre ser autêntico ou ser claro, mas buscar equilíbrio.
Esse equilíbrio aparece na forma como um executivo mantém seu modo de falar, mas ajusta o vocabulário em apresentações nacionais; ou como uma equipe de marketing utiliza expressões locais em campanhas regionais de forma respeitosa, mas escolhe termos universais em campanhas de alcance nacional. São escolhas conscientes, que revelam maturidade na gestão da comunicação.
A integração de regionalismos na comunicação corporativa não deve ser vista como um dilema, mas como uma oportunidade. Algumas práticas ajudam a transformar essa diversidade em vantagem:
Valorizar a diversidade linguística
Sotaques e expressões regionais devem ser tratados como riqueza cultural. Quando líderes e equipes reconhecem isso, o ambiente de trabalho se torna mais inclusivo e respeitoso.

Adotar a clareza como critério principal
A autenticidade é importante, mas a comunicação só cumpre seu papel se for compreendida. Em contextos mais amplos, optar por termos de maior alcance ou complementar expressões locais com explicações rápidas garante que ninguém fique de fora.
Utilizar regionalismos como recurso estratégico
Em campanhas voltadas para públicos locais, referências regionais podem gerar grande identificação, desde que usadas de forma respeitosa e que faça sentido. Uma ação de endomarketing em Pernambuco, por exemplo, pode ter muito mais engajamento ao incorporar elementos culturais do estado do que se usar expressões paulistas.
Tratar mal-entendidos como oportunidades de troca
Se uma expressão não for compreendida de imediato, encarar a situação com naturalidade transforma o momento em aprendizado cultural, e não em falha de comunicação.
Dar o exemplo pela liderança
Líderes que preservam sua forma natural de falar, mas adaptam o vocabulário conforme o público, ensinam pelo exemplo que a comunicação é sobre equilíbrio, e não sobre uniformização.
Regionalismos, longe de serem um problema, lembram que comunicar é sempre considerar quem está do outro lado. No ambiente corporativo, isso significa que é possível preservar a identidade cultural em cada mensagem sem abrir mão do entendimento.
Um sotaque, uma expressão local ou uma metáfora típica não atrapalham o diálogo; apenas pedem que se olhe para o público com atenção.
Assim, os regionalismos deixam de ser vistos como exceção ou detalhe para ocupar o lugar que de fato têm: sinais da diversidade de vozes que constroem as empresas e, mais do que isso, lembranças de que a comunicação só cumpre sua missão quando faz sentido para quem recebe.
Quando falamos de regionalismos, sotaques e adaptações de linguagem, estamos, na verdade, discutindo um princípio mais amplo: a comunicação assertiva. Ser assertivo significa ser claro, respeitoso e objetivo, sem precisar abrir mão da autenticidade.
A comunicação assertiva é aquela que leva em conta tanto o emissor quanto o receptor, equilibrando identidade pessoal com clareza para o público. É nesse ponto que ela se conecta diretamente com a questão dos regionalismos.
Assertividade é adaptar sem perder essência, é traduzir sem apagar a identidade.
Esse conceito ganha ainda mais relevância no ambiente corporativo, onde cada interação pode influenciar resultados, engajamento e relacionamentos. Comunicar de forma assertiva significa ser intencional na comunicação, desde um bate-papo informal com a equipe até uma apresentação estratégica para a diretoria, passando por contextos digitais, negociações e situações de conflito.
Desenvolver essa habilidade é fundamental para organizações que desejam fortalecer a inteligência social de suas equipes, aumentar a autoconfiança de seus profissionais e potencializar a clareza das mensagens.
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